A Ordem dos Cavaleiros Templarios
Caminho de Santiago e a Ordem dos Templários
(Atualizado em 01/2026)
Frequentemente, andando pelo Caminho Frances, o peregrino se depara com alguma coisa relacionada à Ordem dos Templarios.
A Ordem dos Pobres Cavaleiros de Cristo e do Templo de Salomão, conhecida como Cavaleiros Templários, foi uma ordem militar de cavalaria. A organização existiu por cerca de dois séculos , de 1118 até 1312, fundada no rescaldo da Primeira Cruzada de 1096, com o propósito original de proteger os cristãos que voltaram a fazer a peregrinação a Jerusalém após a sua conquista pelos mulçumanos.
Os seus membros fizeram voto de pobreza e castidade (celibato) e usavam mantos brancos com uma cruz vermelha.
Levando uma vida austera, os templários não tinham medo de morrer para defender os cristãos em peregrinação à Terra Santa. Como exército, nunca foram muito numerosos: aproximadamente não passavam de 400 cavaleiros em Jerusalém no auge da Ordem. Mesmo assim, eram bem treinados, tinham um forte sentimento de responsabilidade e comprometimento aos seus objetivos, e foram conhecidos como o terror dos muçulmanos.
Quando presos, rechaçavam com desprezo a liberdade oferecida em troco da conversão ao islamismo, permanecendo fiéis à fé cristã.
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| Um cavaleiro da Ordem dos Templários |
Em decorrência do local onde originalmente se estabeleceram (o monte do Templo em Jerusalém, onde existira o Templo de Salomão, e onde hoje está a Mesquita de Al-Aqsa) e do voto de pobreza e da fé em Cristo denominaram-se "Pobres Cavaleiros de Cristo e do Templo de Salomão".
O reconhecimento da Igreja católica
No outono de 1127, Hugo de Payens e mais 5 cavaleiros se dirigem à Roma visando solicitar ao papa Honório II o reconhecimento oficial da Ordem, tornando a ordem militar em ordem religiosa-militar. Nessa visita, conseguem não só o reconhecimento oficial como apoio, ganhando isenções e privilégios, dentre os quais o de que seu líder teria o direito de se comunicar diretamente com o papa e o direito de construir seus próprios oratórios e serem enterrados neles.
A ordem tornou-se uma das favoritas da caridade em toda a cristandade, cresceu rapidamente tanto em membros quanto em poder; seus membros estavam entre as mais qualificadas unidades de combate nas Cruzadas, e os não-combatentes da ordem geriam uma vasta infraestrutura econômica, inovando em técnicas financeiras que constituíam o embrião de um sistema bancário, e erguendo muitas fortificações por toda a Europa e a Terra Santa.
Em 1229, o papa Gregório IX isentou os cavaleiros da Ordem dos Templarios de pagar o dizimo.
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| Cavaleiro da Ordem dos Templários em Ponferrada |
| Cavaleiro Templário em Santiago de Compostela |
O enriquecimento da Ordem dos Templários
Com o passar do tempo, a Ordem dos Templários ficou riquíssima e muito poderosa: receberam várias doações de terras na Europa. Entre as doações estava a herança do rei Afonso I de Aragão que, por não possuir herdeiro do sexo masculino, deixou todos seus bens para a Ordem.
Recebiam também terras e bens como incentivo para se estabelecerem, como o caso da rainha de Portugal, Teresa de Leão, que doou terras e o Castelo de Soure para a Ordem se fixar em Portugal e defender o país contra os muçulmanos.
Os templários usavam as propriedades que lhes eram doadas para atividades de agropecuária. Assim a subsistência dos cavaleiros se dava com a venda de trigo, cevada, lã de carneiro, carne bovina, queijos, etc.
Devido à necessidade de mão de obra, foram admitidas na Ordem pessoas que não tinham comprometimento com a principal atividade, que era a militar. Logo, o fervor cristão, a vida austera e a vontade de defender os cristãos da morte deixaram de ser as motivações principais dos cavaleiros Templários.
O líder Bernardo de Claraval, dividiu então a Ordem em dois grupos: a militia, que eram os cavaleiros cristãos comprometidos com as motivações iniciais da ordem, e malitia, pessoas que buscavam apenas reconhecimento e status por pertencerem à Ordem.
A Ordem fixou a sua sede central em Paris, e concentrou seus negócios financeiros na França, fato que levou-a a desgraça, como segue o texto seguinte.
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| Castelo da Ordem dos Templários em Ponferrada |
O fim da Ordem dos Templarios
A Ordem sofreu algumas derrotas em sua luta contra os muçulmanos, e criou-se aos poucos a impressão, nos altos escalões do clero, de que os templários já não cumpriam sua missão de liberar e proteger os caminhos para Jerusalém e Roma.
A principal derrota aconteceu em 1291, quando os muçulmanos conquistaram São João de Acre, a última cidade cristã na Terra Santa .
De fato, a ordem tinha se transformado em um gigantesco império econômico, a ponto de tornar-se uma ameaça ao poder dos reis e do clero.
No final do século XIII, o rei Filipe IV de França havia solicitado sua entrada na ordem, porém, não foi aceito por se recusar à abdicar de sua riquezas e poderes. A partir desse momento começou sua perseguição à Ordem dos Templarios, acusando-os de heresia.
Entretanto, haviam outros motivos para o rei perseguir a ordem : era um grande devedor dela, e a ordem tinha se transformado num poder paralelo, num “estado dentro do estado”. Felipe IV temia então em dividir o poder sobre o povo com a Ordem.
Grupos que tinham interesse no fim da Ordem começaram então (com o consentimento e talvez ordem do rei) a espalhar difamações, acusando os Templários de terem “se vendido” aos muçulmanos. Finalmente, em 1307, muitos membros da ordem na França foram detidos, acusados de heresias e crimes mediante confissão por tortura, e queimados em praça pública.
Em 22 de março de 1312, o papa Clemente dissolveu a ordem, arrestou todos os bens dos Templarios e redistribuiu-os a outras ordens religiosas.
Os últimos lideres da Ordem dos Templários
No dia 18 de março de 1314, no pátio da Igreja de Notre-Dame, Paris, foi instalado um palanque público, para anunciar publicamente a sentença de prisão perpétua ao lider da Ordem, Jacques de Molay, e aos cavaleiros Hughes de Pairaud, Geoffroy de Charnay e Geoffroy de Gonneville.
Em meio ao anúncio da sentença, De Molay e Charnay levantaram-se bradando sua inocência e a de todos os Templários, que todos os crimes e heresias a eles atribuídos foram inventados, e que as confissões de culpa foram arrancadas mediante tortura.
No mesmo dia, armou-se uma fogueira e foram queimados vivos Jacques de Molay e Geoffroy de Charnay.
Jacques de Molay (ou Tiago de Molay)
Interrogatorio de Jacques de Molay , gravura do seculo 19
Placa fixada atrás das arvores da foto acima, na Pont Neuv, Paris “Neste local Jacques de Molay, ultimo Grão Mestre dos Templarios, foi queimado em 18 de março de 1314”.
A Ordem de Cristo
Entretanto, em 1319 o Rei de Portugal D. Diniz decidiu que os cavaleiros templários de Portugal seriam deixados em paz, e estes criaram uma nova ordem, a Ordem de Cristo (a rigor, apenas mudaram o nome da ordem). Muitos templários remanescentes na Europa refugiaram-se para Portugal, levando consigo riquezas e um vasto patrimônio cultural, constituindo-se assim uma “fuga de cerebros”.
Em 1416, o rei de Portugal Infante D. Henrique tornou-se Grão-Mestre (chefe supremo) da Ordem de Cristo. A Ordem tinha como ideal a exploração de novas terras (por interesses econômicos). D. Henrique como seu chefe supremo, seguiu este ideal. Iniciou-se assim a era das grandes navegações portuguesas.
Cavaleiros Templarios – galeria de fotos
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| Placa do Albergue Jacques de Molay em Terradillos de los Templários |
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| Cavaleiros Templários em loja de souvenires - Ponferrada |
A Ordem de Cristo e o Descobrimento do Brasil
No inicio do século XIV, com a perseguição aos Templários e dissolução da ordem na Europa, seus membros se refugiaram em Portugal. Ali se juntaram à Ordem de Cristo. Esta Ordem se especializou em navegação, pois o comércio e as riquezas eram trazidas da Africa através do Oceano Atlântico.
Tinha a Ordem de Cristo os melhores navegadores, os melhores mapas, escolas e técnicas de navegação e orientação. Alem disso, os reis de Portugal (entre eles D. Manoel, rei na época do descobrimento) tinham boas relações com a Ordem.
Quase duzentos anos depois do fim da Ordem dos Templários, a Ordem de Cristo já não era uma ordem militar com intuito de proteger os peregrinos. Tinha se tornado numa organização econômica poderosíssima em Portugal.
Pedro Alvares Cabral não era um navegador, porem foi designado como chefe da esquadra que viria ao Brasil em 1500 por ser cavalheiro da Ordem de Cristo. A Ordem tinha interesses econômicos na viagem de Cabral. Como todos sabemos, Cabral saiu de Portugal com o intuito de chegar a India, porem acabou encontrando o Brasil. Mas, atualmente é muito aceita a hipótese de que a Ordem de Cristo já sabia da existência do Brasil e ordenou Cabral secretamente chegar aqui e tomar posse das novas terras.
A frota de Cabral navegou com as velas estampadas com a cruz da Ordem de Cristo, e quando aqui chegou hasteou uma bandeira da Ordem. Como escreveu em sua famosa carta, o escrivão Pero Vaz de Caminha ao rei; “Alí estava com o capitão a bandeira da Ordem de Cristo, com a qual saíra de Belém, e que sempre esteve alta”.
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| Caravela da frota de Cabral, com as velas ostentanto a cruz da Ordem de Cristo (antiga Ordem dos Templários) |







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